Belmiro de Almeida (1858-1935) estudou na Academia Imperial de Belas Artes (Rio de Janeiro) e aprimorou suas técnicas em seguidas viagens a Paris e Roma. Uma de suas telas mais famosas é Arrufos (1887), mas além do retrato também dedicou-se à pintura de gênero, isto é, de cenas do cotidiano e seus personagens anônimos. A tela "Meninos Jogando Bilboquê" (1892), hoje pertencente ao Masp, revela um traço de pura sensibilidade do pintor. Trata-se de um flagrante da amizade de dois meninos, um daqueles momentos da infância em que amizade e curiosidade se misturam com a vontade de compartilhar e, de certa forma, de contar "vantagem". Braços para trás, olhos vidrados no bilboquê, o amigo assiste à exibição do colega, sem sem preocupar em exibir seu deleite envolto em inveja. Uma espécie de "Kiko e Chaves" da época!
Que sentimentos poderíamos despertar nos meninos e meninas do Ensino Fundamental I, ao exibirmos esta cena de profunda carga psicológica? Em primeiro lugar, é bom conduzir nosso público para a descrição da cena: roupas, calçados (e a falta deles), local, clima, gestos e olhares. Interessante seria ainda instigá-los a dar um nome à cena, o que pressupõe não revelar o oficial logo de início.
O método da comparação sempre potencializa a observação e a apreciação. Por isso, propomos a abordagem desta cena juntamente com uma singela obra, também de motivo infantil, do pintor Francisco Rebolo (1902-1980). Rebolo fez parte do Grupo Santa Helena, com Alfredo Volpi e Aldo Bonadei, entre outros. Rebolo é considerado como um dos maoires paisagistas brasileiros, trabalhando as cores com maestria para crair composições marcadas pelo refinamento do meio-tom. Pintou os arrabaldes, os limites da cidade, os subúrbios de casas simples. Tudo isso com a simplicidade de quem não partilha de referenciais teóricos rígidos. Também foi o inventor do escudo do Corinthians, clube no qual atuou como jogador profisssional.
Acesse a atividade 1, na qual propomos a comparação das duas telas mencionadas. O objetivo é desenvolver a empatia, partindo da leitura de imagens para alcançar a produção de texto com qualidade. Envie seus comentários. Compartilhe sua experiência |